Ainda por
aí uma “consulta pública”, pedida pelo Instituto Património Cultural, para a
classificação das “touradas” como Património Cultural Imaterial nacional, com
vista a uma candidatura à UNESCO para a sua classificação como Património Mundial.
Que coisa absurda! E ainda por cima suportada com dinheiros públicos…
Como pode o Ministério da
Cultura acalentar uma proposta destas, sabendo-se que se trata de uma matéria
tão fraturante na sociedade portuguesa? É ou não verdade que uma parte
significativa do país abomina este incôngruo
e presumido “ato cultural”?
E
depois, já pensaram nas fortes barreiras na UNESCO? Havendo um órgão das Nações
Unidas, no caso o Comité dos Direitos da Criança, comprometido com a proteção
dos mais jovens face à violência das touradas, seria incompreensível um outro
órgão das Nações Unidas (a UNESCO), elevá-las a Património da Humanidade. Já
não falando na Declaração da Cultura de Paz, cujo movimento a UNESCO criou em
1999, baseado no respeito à vida e na promoção da não-violência por meio da
educação.
Querer atribuir o estatuto de “ato cultural” a espetáculos com tortura
de sangue em animais para aplauso e diversão do público é hoje intolerável. A
geração que aí vem (a dos que hoje são meninos e que nas escolas ganham laços
de ternura com os animais e uma nova consciência dos seus direitos) irá,
certamente, sentir náuseas ao recordar estes pretensos “atos culturais” que
alguns sonhadores querem elevar a Património da Humanidade.
in: Diário de Trás-os-Montes, 6-10-2026




