Foi com muita honra que, aceitando o convite para participar na celebração do Dia Internacional da Mulher, promovido pelo Agrupamento de Escolas Diogo Cão, no Teatro de Vila Real, recordei, homenageando, um conjunto de figuras femininas que personificam a resistência e a bravura ao longo dos tempos, em realidades dominadas pelo poder do quero, posso e mando, invariavelmente masculino.
Comecei pelas freiras do
Mosteiro de Vitorino das Donas, em Ponte do Lima, que resistiram heroicamente numa
luta desigual contra o Bispo de Braga, e continuei com as mulheres de Castro Laboreiro
(que substituíram os homens na luta contra o exército galego); a heroína Brianda
Pereira, dos Açores (que criou um exército de mulheres contra as tropas de
Flipe II, na batalha da Salga); Deu-la-Deu
Martins (no Castelo de Monção); Inês Negra (no Castelo de Melgaço); Brites de
Almeida (a célebre Padeira de Aljubarrota); Gasparona (que afugentou os
espanhóis invasores em Vinhais); Celinda (que enfrentou os sitiadores do
Castelo da Sertã com uma gigantesca “certã” cheia de azeite a ferver); as Marias
da Fonte (que lideraram a revolta contra a ditadura de Costa Cabral); Dona
Catarina, viúva do alcaide de Sabugal (que defendeu até ao limite o seu castelo
contra as tropas de D. João II, após este lhe mandar matar o marido); as mulheres
de Monsanto (que lançaram das muralhas uma vaca com o bandulho cheio de trigo,
livrando o castelo do cerco castelhano).
E não esqueci Catarina Eufémia (que enfrentou o regime salazarista e deu
o corpo às balas a defender as ceifeiras do Alentejo), para concluir lembrando
a arqueóloga Mila Simões de Abreu (uma guerreira do nosso tempo, que, pela
palavra, pelo saber, pela coragem, pela militância, ontem como hoje vemo-la a
liderar ou a dinamizar grandes lutas pelas melhores causas da contemporaneidade,
sendo a mais notável a batalha pelas gravuras do Côa, nos anos 90, onde nasceu
as expressão “as gravuras não sabem nadar”).
Outras mulheres, notáveis
ou invisíveis, foram igualmente lembradas e homenageadas pelos meus parceiros
de painel: Emanuel Bessa Monteiro, Adérito Silveira, Vasco Amorim, Alexandre
Favaios e Álvaro Pinto. De todas as intervenções, colheram-se valiosas lições.
Excelente ideia a das organizadoras. Muito público, especialmente jovens, a assistir. Os meus parabéns renovados.
(in «Diário de Trás-os-Montes, 11-3-2026)



