quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Dos Contos Tradicionais à Literatura Infantil














1 – Todos os estudos reconhecem que as crianças que, desde cedo, convivem com as rimas infantis, lengalengas, trava-línguas, canções, adivinhas e todos os demais géneros de literatura oral tradicional, com relevo para os contos do maravilhoso, são sempre mais capazes intelectualmente do que aquelas que crescem à margem desse convívio. Trata-se de textos que, desde cedo, contribuem para a educação estética da criança, ao ajudarem a definir e a apurar a sua sensibilidade. E porque a sensibilidade é o motor da inteligência, bem pode assim esta ser impulsionada desde o berço. De todos os textos, merecem atenção especial os contos tradicionais narrados às crianças. Sejam contos de fadas (ou do maravilhoso), sejam contos de animais, do ogre estúpido, de usos e costumes ou contos de fórmula, eles sempre excitam o espírito. A criança, ao ouvi-los, aprende a saber escutar, a saber conhecer o outro, a saber divertir-se no seio do grupo, a aceitar e a compartilhar os códigos nele vigentes. Tudo isto, para além de toda uma riqueza intemporal de mensagens culturais que se revelam muito valiosas no crescimento de qualquer ser humano.

2 – Dos contos de fadas, geralmente os mais referenciados, se diz muito, mas nem sempre acertado. Por não haver um corpus preciso de textos neste domínio e por os designados “contos de fadas” nem sempre terem “fadas” no seu seio, torna-se difícil achar uma definição rigorosa daquilo que é um conto de fadas. Na verdade, o seu conceito distribui-se por três tipos de contos: (i) os contos com fadas propriamente ditas (que são aqueles em que existe, efectivamente, uma fada entre os protagonistas); (ii) mas também os contos do maravilhoso, cuja característica principal é a presença do sobrenatural, construído pelo desempenho de figuras míticas que a tradição consagrou (ogres, gigantes, bruxas, demónio, lobisomens....); (iii) e ainda todos os contos de encantamento que são narrados à criança numa idade própria do "conto de fadas", isto é a idade do "faz de conta", a idade em que a criança mistura o real com o imaginário, e aqui teremos um leque muito vasto de textos, que vai desde contos de animais que falam, até aos contos de princesas, de reis, de castelos, etc. Neste quadro conceptual, os contos de fadas devem sempre ser entendidos como todo o conjunto de textos narrativos de tradição oral que versam conteúdos alheios às regras do mundo real, apropriados a um leque de destinatários que vive numa idade em que é capaz de alimentar e produzir vivências no domínio do imaginário. Esta idade é, de resto, designada vulgarmente como a “idade dos contos de fadas”.

3 – O uso dos contos tradicionais na literatura infantil é hoje uma prática corrente, que seduz autores e editoras, mas, em muitos casos, sem o rigor ético e intelectual que se impõe: uns são recontados (o que é redundante, quando já se encontram publicados pelos seus recolectores), outros recriados, e nem sempre, num e noutro caso, são identificadas e respeitadas as respectivas fontes. E no que toca aos contos da tradição portuguesa, sabe-se que eles chegaram até nós através de fontes primárias ou secundárias. Destas últimas são de reconhecer os esforços de Adolfo Coelho, Teófilo Braga, Leite de Vasconcelos, Consiglieri Pedroso e outros, que palmilharam o mundo rural a recolher os seus contos, investindo nisso um trabalho intelectual respeitável, num tempo em que não havia gravadores, pelo que citá-los é elementar. Tanto mais que alguns dos contos são versões que retratam sempre, nos seus temas e motivos, espaços geo-culturais diferenciados. Uma “cabaça” no sul do país pode ser apenas e só uma vasilha de vinho, mas no norte pode ser também uma “abóbora”. Não pode, por isso, a literatura infantil, ou quem a pretende conduzir, fazer tábua rasa dos símbolos e motivos que a tradição transporta através dos seus contos. Tal como não pode subverter a matriz cultural que este património representa.


Alexandre Parafita

in Revista "2 Margens", Junho 2011, pp. 84-85

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Filandorra e a Literatura Infantil de Alexandre Parafita

Imagens de espectáculos e eventos levados a cabo pela companhia Filandorra - Teatro do Nordeste, a partir de obras de Alexandre Parafita. Uma homenagem ao seu Director, David Carvalho, e aos seus actores.






























segunda-feira, 21 de março de 2011

Acções do Plano Nacional de Leitura - Semana da Leitura (14-18 de Março 2011)

Arcos de Valdevez, 14-3-2011



A Ver o Mar, Póvoa do Varzim, 15-3-2011


Pegões, Montijo, 17-3-2011



Centro Escolar de Resende, 18-3-2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Lançamento de PATRIMÓNIO IMATERIAL DO DOURO em Lisboa

Lançamento de Património Imaterial do Douro, Vols. 1 e 2, na FNAC - Centro Vasco da Gama, em Lisboa, em 24-02-2011. Apresentou o Dr. Amadeu Ferreira. Na primeira fila, o Dr. Pedro Passos Coelho.






























segunda-feira, 29 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Promoção da Leitura na Biblioteca Municipal de Penafiel

A promoção da leitura e do conhecimento continuam a dominar as actividades na Biblioteca Municipal de Penafiel.
O atelier “ Sessão de contos com Alexandre Parafita”, no passado dia 9 de Novembro, envolveu cerca de 85 crianças do 1º ciclo de Escolas de Penafiel, no mundo mágico dos livros de Alexandre Parafita, numa sessão dinamizada pelo serviço educativo e que contou com a presença do autor.
As obras de Alexandre Parafita, modelo de estudo em diversas escolas do Concelho de Penafiel, retratam histórias de elevada capacidade pedagógica, dirigidas a um público infanto-juvenil. Nelas, os animais são personagens carregadas de simbolismo, onde se cruzam os traços temperamentais dos seres humanos, os seus vícios, as suas virtudes, a sua moral.
A abertura de sessão deslumbrou a pequenada com uma encenação teatral do conto “O lobo, a velha e a cabaça”, seguido da leitura de contos de Alexandre Parafita por parte de vários leitores da Biblioteca de Penafiel.
Após a sessão, o autor interagiu com os mais novos, tendo falado um pouco sobre si. “ É sempre com enorme prazer que me desloco às Bibliotecas e Escolas, pois este tipo de iniciativas ajuda as crianças a aproximarem-se dos autores e vice-versa. Juntos estabelecemos um contacto entusiástico que acaba sempre por valorizar a leitura. No meu caso em concreto, os meus livros são uma forma de ajudar as crianças a crescer e a desenvolver capacidades de intervir e dialogar.”
Durante o mês de Novembro, o atelier “Hora do Conto” da Biblioteca de Penafiel, vai ter como livro “Contos de Animais com Manhas de Gente”, de Alexandre Parafita. Este atelier realiza-se à segunda-feira pelas 14h30 e de terça-feira a sexta-feira pelas 10h00, sujeito a marcação prévia.

[in Jornal A Verdade, (Marco de Canaveses) 10-11-2010, edição online]