terça-feira, 22 de setembro de 2026

Vai em paz, velho companheiro!

 

José Viale Moutinho (1945-2026) escreveu um dia: «Sair assim de repente / e a contragosto não é / sequer um direito meu /a penetrar no paraíso»

Mas vimo-lo partir esta madrugada. Quando os anos começam a pesar sobre nós, estaremos, irremediavelmente, condenados a ver partir os companheiros de jornada. Meu colega do jornalismo nos anos 80 e 90 (ele no “Diário de Notícias”, eu na ANOP e no “Comércio do Porto”), Viale Moutinho foi um mestre e um exemplo de qualidade e rigor na escrita que projetava nos velhos “linguados”.

Gigante de corpo e alma, tornou-se, para além do jornalismo, um paladino da palavra literária, um escultor de linguagens, que projetou numa vasta obra acarinhada por todos os públicos (“Os Cimentos da Noite”, “Cenas da vida de um Minotauro”, “Monstruosidades do tempo do infortúnio”…), e especialmente pelo público infantil (“A Menina da Janela das Persianas Azuis”, “O Rapaz de Pedra”, “Manhas de Gato Pardo”, “Os Dois Fradinhos”, “A Vassoura Voadora”, “Sapinho e Sapão”, “A Estrela Perdida”…).

Com o seu talento, ajudou muitas crianças a ganhar o gosto pela leitura. Oxalá as escolas e as famílias continuem a acarinhar a sua obra.

Aqui deixo a minha sentida homenagem a mais um amigo e companheiro que vejo partir.