domingo, 23 de maio de 2010

Acções do Plano Nacional de Leitura (PNL) em vários pontos do País

EB2.3 António Gedeão (Odivelas)

Agrupamento de Escolas de Sever do Vouga

Agrupamento de Escolas de Santa Luzia (Guimarães)

Agrupamento de Escolas de Castelo de Paiva

Agrupamento de Escolas de Infias (Vizela)

Agrupamento de Escolas de Mesão Frio

Agrupamento de Escolas Diogo Cão (Vila Real)

Agrupamento de Escolas de Mões (Viseu):

Agrupamento de Escolas Monsenhor de Jerónimo do Amaral (Vila Real)

Agrupamento de Escolas Mosteiro e Cávado (Braga)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Valia milhões, mas a Pátria apenas lhe “pagou” quinze tostões...

Um pouco por todo o país, comemora-se hoje (9 de Abril) mais um aniversário da célebre Batalha de La Lys, que aconteceu em plena 1ª Guerra Mundial, onde Portugal teve papel preponderante e um jovem soldado português, esguio e pequeno de corpo, deu mostras de uma heroicidade que o mundo inteiro reconheceu e louvou. A sua Pátria, porém, ainda lhe não fez justiça.
Trata-se de Aníbal Augusto Milhais, natural da pequena aldeia de Valongo de Milhais, do concelho de Murça. O seu apelido e o feito notável que praticou na famosa batalha levaram à criação da alcunha “Soldado Milhões”, que o viria a acompanhar toda a vida. Este humilde soldado transmontano partiu para a Flandres, em 1917, incorporado numa força militar portuguesa, destinada a reforçar as forças aliadas, as quais viriam a sofrer violentos ataques por parte dos alemães.
Segundo as notícias publicadas na época, as forças aliadas foram fortemente destroçadas, com muitas mortes, inclusive entre os militares portugueses. E foi no momento em que várias dezenas de militares, muitos deles feridos, batiam em retirada perante a perseguição do exército inimigo, que o jovem Aníbal ficou (negligentemente ou não) sozinho para trás e viu-se perdido, escondido numa trincheira, tendo com ele apenas uma metralhadora Lotz e uma grande quantidade de munições.
A sua única saída era: entregar-se ao inimigo; deixar-se abater; ou então enfrentá-lo. Optou por esta última, conseguindo “varrer”, ao que confirmaram muitos testemunhos, uma coluna inteira de alemães que iam em motocicletas na perseguição dos soldados aliados. Após este acto, prudente ou não, caiu-lhe em cima uma outra coluna de alemães que vinha em socorro dos companheiros atacados pela metralhadora entrincheirada.
Estes, que em princípio contavam que na trincheira se encontrasse uma quantidade vasta de soldados adversários, nem acreditaram quando de lá lhes saiu um único homem, um pequeno e esguio “Rambo”, com uma só metralhadora, agora recarregada de munições, a lutar perdidamente pela sua própria vida. A surpresa daqueles e o arrojo deste (assente na convicção de que nada tinha já a perder) foram determinantes para o resultado da façanha. Muitos militares alemães tombaram na sua frente e os outros trataram foi de fugir.
O Soldado Milhões viria a ser depois socorrido nos seus ferimentos por um médico escocês, que relatou a odisseia aos seus superiores e, a partir daí, a lenda correu o mundo.
Na memória oral transmontana chegou a andar uma quadra popular, que o autor destas linhas recolheu em Sabrosa, a qual dizia:

“Lá vem o grande Milhões!
Só por milagre está vivo,
Pois matou mais alemães
Do que os buracos dum crivo!”

Acabada a Guerra, o Soldado Milhões voltou à sua pobreza, à sensaboria da sua terra natal, onde viria a ter de sustentar, no árduo labor do campo, um outro “exército” – esse formado pelos seus oito filhos.
Uma neta do herói, a viver na Guarda, contou entretanto a um jornal (Terras da Beira) que o avô apenas recebeu da Pátria uma tença de quinze tostões após a Guerra. E lembrou também que, por ser tão pequenino esse pecúlio, chegou a haver quem lançasse na época uma subscrição pública para lhe ser construída uma casinha.
Hoje, numa Sociedade que tanto precisa de heróis (quando os não tem, inventa-os...) o nosso grande Milhões, quase ignorado a nível nacional, apenas possui um pequeno busto na sede do concelho de Murça e pouco mais. Felizmente, por estes dias, o Município está a homenageá-lo condignamente, no âmbito das celebrações do centenário da República.
Alexandre Parafita
in
Diário de Trás-os-Montes

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Os rituais do Entrudo em Trás-os-Montes

Em contraste com os carnavais mediáticos das grandes urbes mundiais, muitas aldeias e vilas transmontanas mantêm as suas tradições do Entrudo, fiéis aos rituais do ciclo de Inverno, de raízes medievais, e que hoje são o retrato vivo de uma civilização rural que teima em sobreviver na região. Desfiles diabólicos de “caretos”, “matrafonas” e “facanitos”, leituras de “testamentos” (ou “papeladas”), “julgamentos públicos” e “pulhas casamenteiras” são o que perdura de mais genuíno das tradições do Entrudo em Trás-os-Montes.
A tradição dos “caretos”, tal como ocorre em Podence, Macedo de Cavaleiros, é, de todas a mais activa. Os rapazes vestidos com os seus fatos de franjas de cores garridas, máscaras de lata e chocalhos à cintura, percorrem num frenesim “eléctrico” todos os cantos da aldeia, entram e saem pelas janelas das casas e alpendres, trepam aos telhados, em busca das raparigas solteiras que arrastam para a rua ensaiando com elas rituais eróticos. Estas, caso não queiram entrar neste “jogo” só têm uma solução: vestem-se de “matrafonas” (mascaradas como eles) e saem também para a rua, onde estarão imunes às investidas dos moços. O cortejo completa-se com os “facanitos”, ou seja os mais pequerruchos da aldeia que, mascarados de trasgos ou mafarricos, acompanham os demais, cumprindo, também eles, o seu próprio ritual de iniciação e garantindo, ao mesmo tempo, a continuidade da tradição.
Não menos singular é o mito/rito do Entrudo em Santulhão, Vimioso, conhecido como “julgamento do Entrudo”, onde se posicionam o “Anunciador”, o “Entrudo” acompanhado pela mulher e filhos, depois os “Advogados” de acusação e defesa e, por fim o “Juiz” exibindo o “livro das leis”. Esta alegorização do Entrudo e do seu clã familiar visa responsabilizá-los pelas desgraças do Inverno, especialmente os males agrários, pelo que o ritual do julgamento representa, simultaneamente, o seu esconjuro e a purificação da comunidade, que assim entrará, com outro ânimo, num novo ciclo produtivo. Daí que, lavrada a sentença pelo juiz, os bonecos de palha, simbolizando as figuras a esconjurar, sejam queimados na praça pública perante a azáfama do povo.
É de assinalar que estas manifestações, com a mesma expressão ritual ou expressões afins, são comuns a outras zonas transmontano-durienses, como acontece com os caretos de Vila Boa de Ousilhão, os Caretos aos Pares (compadres e comadres) de Lazarim, os Diabos, a Morte e a Censura em Bragança, a Morte e os Diabos de Vinhais, as Pulhas Casamenteiras em Mogadouro, os Testamentos ou Papeladas em Espinhoso, etc.
Lamentavelmente, o Ministério da Cultura inviabilizou a candidatura deste Património Imaterial à lista da UNESCO, preferindo concentrar os seus esforços na candidatura do fado, contra as próprias normas da UNESCO, pois o fado está muito longe de ser um bem cultural cuja viabilidade corre perigo.
Alexandre Parafita

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Literatura Infantil em Sabrosa


Alexandre Parafita encontrou-se, pela primeira vez, com crianças e jovens do concelho de Sabrosa, sua terra natal, para apresentar o seu mais recente livro de literatura infantil “Contos ao vento com demónios dentro”.
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