terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Adeus, princesa...


 Conheci-a há anos em Vila Real. Era vice-reitora da Universidade Lusófona quando veio à UTAD arguir provas académicas na área em que era uma notável especialista: a biologia. Deixou uma marca poderosíssima na argumentação e saber que demonstrava nas suas intervenções.

Estava no seu auge. Era, na verdade, uma princesa. Na ciência, na literatura, na beleza, no doce sorriso que contagiava…

Dizem as notícias de hoje que apareceu morta, sozinha, em sua casa, mergulhada na mais confrangedora solidão. As reações das elites culturais e políticas não se fazem esperar. A galera socialite aproveita para se mostrar. É o costume.

Pergunto eu: e quanta dessa gente não assobiou para o lado quando, há meses, numa entrevista de grande divulgação, mostrava ela a sua desilusão com a vida, passando pela ordem de despejo, sozinha, sem emprego, sem recursos financeiros, a recorrer à Segurança Social, a dar explicações para sobreviver…?

Para homenageá-la, apenas posso recomendar o seu inesquecível romance “Adeus, princesa”, onde a emoção e sensibilidade da história dizem bem da personalidade de quem a escreveu.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

A UTAD é nossa! Precisamos dela forte e prestigiada!

 


Dediquei mais de 30 anos à UTAD. Nela fundei e desenvolvi o Gabinete de Comunicação e Imagem, fiz o meu Doutoramento, lecionei 12 disciplinas diferentes em cursos de licenciatura e mestrado e por fim escrevi a História da Universidade.

Vejo-a hoje mergulhada numa controvérsia que não parece ter fim, empurrada (e emperrada) de tribunal para tribunal, impossibilitada de eleger um Reitor. Incapaz de impor essa que foi uma das maiores conquistas da Democracia: o direito sagrado à autonomia universitária.

Custa-me, pessoalmente, assistir a tudo isto. Eu que ainda sou do tempo em que esta tão nobre instituição nasceu. Acompanhei as batalhas de David contra Golias que permitiram impor nos finais do séc. XX impor o IPVR, depois o IUTAD e por fim a UTAD. Todos os avanços foram arrancados a ferros à custa de muitas batalhas. O Marão erguia-se como um obstáculo, mas havia outros ainda mais difíceis de transpor. Elevada a Universidade em 1986, o “milagre” era já reconhecido cá dentro e lá fora. Tanto assim foi que, dois anos depois, o Banco Mundial designava-a como uma “Universidade Modelo”.

Um apelo lanço a todos. À Academia, ao Ministro e também aos deputados que se “digladiaram” na AR. Entendam-se de vez. A UTAD é nossa! Vila Real, Trás-os-Montes e Portugal precisam dela. Forte e prestigiada.